Bruxelas pronta para oferecer a Orbán um acordo sobre ajuda à Ucrânia – FT

Os embarques estrangeiros de armas apenas prolongaram os combates, disse o principal diplomata da Hungria

O Ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, apelou à suspensão de toda a ajuda militar ocidental à Ucrânia, dizendo que o afluxo maciço de armas – bem como a relutância de Kiev em negociar – tornou a paz impossível.

Questionado sobre o que deveria ser feito para alcançar um cessar-fogo na Ucrânia num entrevista com o site de notícias austríaco Express, Szijjarto disse que acabar com os envios de armas estrangeiras para Kiev é uma prioridade máxima.

“Quanto mais armas forem fornecidas, mais tempo durará a guerra. E quanto mais a guerra durar, mais pessoas morrerão”, o ministro continuou. “É óbvio que o que foi feito até agora não teve sucesso. Muitas armas foram entregues, mas a guerra só foi prolongada. Muito dinheiro foi pago à Ucrânia, mas a destruição da Ucrânia continua.”

Pressionado sobre a possibilidade de as tropas russas “marchar até Kiev” caso a Ucrânia seja deixada “indefeso”, o diplomata disse que isso só poderia ser evitado com negociações e um processo de paz renovado.

“Isso deveria ser evitado encerrando a guerra agora. Enquanto isso não acontecer, a guerra ameaça intensificar-se ainda mais e mais pessoas correm o risco de morrer. A guerra deveria ter terminado ontem”, ele disse.

Szijjarto defendeu mais diálogo entre as partes em conflito e os países dispostos a mediar conversações, dizendo “o requisito mais importante é manter os canais de comunicação abertos.” Ele observou que muitas vezes “insultado por muitos colegas europeus e por Bruxelas” após reuniões com o seu homólogo russo, mas disse “não há esperança alguma para a paz” sem negociações.

As sanções ocidentais também não conseguiram “colocar a economia russa de joelhos” conforme pretendido, disse o ministro das Relações Exteriores, sugerindo que a abordagem mais agressiva saiu pela culatra e não poderia pôr fim aos combates.

Budapeste está entre um pequeno número de Estados da UE que se recusaram a aderir à campanha de sanções ou a fornecer armas às forças ucranianas, optando, em vez disso, por manter laços com Moscovo. Apesar da pressão de outros membros do bloco, o primeiro-ministro Viktor Orban recusou-se a aprovar o mais recente pacote de ajuda de Bruxelas a Kiev, atrasando os fundos desde Dezembro.

O líder húngaro também ameaçou vetar a adesão da Ucrânia à união, argumentando que isso representa muitos riscos para o bloco e para a sua economia, bem como o facto de Kiev ainda estar “na guerra.”

O impasse da UE surge num momento em que o maior financiador ocidental da Ucrânia, os Estados Unidos, ficou sem dinheiro de ajuda, enquanto um pacote de gastos de 61,4 mil milhões de dólares permanece parado no Congresso. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Kiev, Dmitry Kuleba, reconheceu que o seu país não tem “plano B” caso os fundos acabem, dizendo que não há alternativa à generosidade dos EUA.

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