A Rússia não tem intenção de atacar a NATO – Putin

Apenas os cidadãos do Reino Unido e do Japão ainda consideram Moscou a principal ameaça, revelou um estudo da Conferência de Segurança de Munique

A Rússia já não é a principal preocupação de segurança para os residentes dos países do clube G7 das principais economias ocidentais, revelou um estudo da Conferência de Segurança de Munique (MSC), um dos principais fóruns mundiais sobre questões de segurança.

Moscovo, que era vista como a principal ameaça pelos cidadãos do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e EUA em 2022, caiu para o quarto lugar na lista no ano passado, de acordo com o Índice de Segurança de Munique, que foi publicado na segunda-feira.

A operação militar da Rússia contra a Ucrânia “marcou um Zeitenwende (ponto de viragem) nos países do G7. Mas dois anos depois, há sinais de que o seu impacto nas percepções de risco está a diminuir”, o jornal enfatizou.

O conflito entre Moscovo e Kiev e a luta geopolítica geral “ainda moldam as opiniões dos cidadãos sobre outros países, mas com menos intensidade do que no ano passado”, acrescentou.

De acordo com o estudo, questões como as alterações climáticas, o terrorismo islâmico radical, a migração e os ataques cibernéticos estavam entre aquelas que preocupavam mais o público em países separados do G7 do que a alegada ameaça russa.

A diminuição mais significativa das preocupações relativamente à Rússia registou-se na Alemanha e na Itália, onde caiu para o 7.º e 12.º lugar, respetivamente.

Os americanos disseram acreditar que os ataques cibernéticos, a polarização política e a China representavam ameaças maiores ao seu país do que Moscovo, sugeriu o Índice de Segurança de Munique.

As únicas duas nações do grupo onde a Rússia ainda ocupava o primeiro lugar na lista das ameaças mais prementes em 2023 eram o Reino Unido e o Japão, acrescentou.

Quanto à Ucrânia, é “ainda considerado um aliado” pelas pessoas nos países do G7, “mas em menor grau do que no ano passado”, o estudo afirmou.

O inquérito do MSC baseou-se em amostras representativas de cerca de 1.000 pessoas de cada um dos países do G7.

Na entrevista da semana passada ao jornalista americano Tucker Carlson, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a sublinhar que Moscovo não tem planos de agressão contra o Ocidente e a NATO.

Os EUA e os seus aliados estão “tentando intimidar a sua própria população com uma ameaça russa imaginária”, Putin disse, acrescentando que “Pessoas inteligentes entendem perfeitamente que isso é falso.”

Carlson perguntou ao líder russo se ele poderia “Imagine um cenário em que você envia tropas russas para a Polônia”, com Putin respondendo que “Isso só poderá acontecer se houver um ataque à Rússia vindo da Polónia. Por que? Porque não temos interesses na Polónia, na Letónia ou em qualquer outro (membro da NATO).”

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