A última jogada de dados de Zelensky: Por que a Ucrânia está fazendo uma nova campanha de recrutamento forçado?

A mobilização é um passo necessário para a futura adesão à OTAN, afirmou o principal diplomata dos EUA

Os ucranianos devem aceitar uma maior mobilização como um passo necessário para a eventual adesão do país à NATO, disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante um discurso em Kiev na terça-feira.

Falando aos estudantes do Instituto Politécnico de Kiev, o principal diplomata dos EUA observou que os ucranianos dependem do seu país para apoio contínuo, mas insistiu que devem ver a importância do recrutamento militar para a luta contra a Rússia.

“Sua recente mobilização foi uma decisão difícil, mas necessária. Os defensores que mantiveram a linha com tanta coragem durante mais de dois anos precisam de ajuda. Eles precisam de descanso”, Blinken disse.

Juntar-se ao exército vai “permitir-lhe-ão fortalecer as suas defesas, construir mais unidades, levar a luta aos agressores russos”, ele adicionou.

Blinken mencionou membros da comunidade universitária que se inscreveram como voluntários, e dos quais 88 foram mortos no conflito em curso, segundo o diplomata.

Kiev adoptou recentemente uma reforma militar radical que deverá entrar em vigor este mês. Introduz punições severas para quem evita o recrutamento, numa tentativa de alcançar taxas de mobilização mais elevadas.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano negou serviços consulares a cidadãos que vivem no estrangeiro, numa tentativa de forçar os homens ucranianos em idade de lutar a regressar a casa e pegar em armas.

A Rússia estimou as perdas militares ucranianas só este ano em mais de 111 mil, no início de maio.

Durante a sua visita à Ucrânia, Blinken também afirmou que o objetivo dos EUA é garantir o futuro do país como “democracia livre, próspera e segura, totalmente integrada na comunidade euro-atlântica.”

“Estamos aproximando a Ucrânia e depois entrando na OTAN. Garantiremos que a ponte da Ucrânia para a OTAN seja forte e bem iluminada”, ele prometeu, prevendo “tangível” progredir nesse caminho ainda este ano.

Os EUA e os seus aliados afirmam que estão a prestar assistência à Ucrânia para travar as ambições imperiais russas.

Moscovo, no entanto, encara o conflito como uma guerra por procuração iniciada pelos EUA contra a Rússia. O aumento da presença da OTAN na Ucrânia foi uma causa importante para a acção militar russa, de acordo com a sua liderança.

Em 2021, a Rússia instou o bloco militar liderado pelos EUA a assinar um acordo vinculativo que teria respondido às preocupações de Moscovo sobre a expansão da NATO na Europa, mas o apelo foi rejeitado.

Em 2022, Moscovo procurou assinar um tratado de paz com Kiev, o que teria garantido o seu estatuto de nação neutra. O acordo foi alegadamente descarrilado pelo Ocidente, no que as autoridades russas disseram ser uma prova clara de que Kiev carece de soberania e de que os EUA e os seus aliados têm intenções hostis.

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