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O déficit orçamentário do Brasil assumiu proporções epidêmicas, fazendo com que persistam sérias preocupações fiscais.

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A drone view shows Farol Santander building and downtown Sao Paulo, Brazil, May 7, 2026. REUTERS/Amanda Perobelli

O déficit orçamentário do Brasil aumentou nos doze meses encerrados em junho, chegando a quase 10% do PIB, segundo dados divulgados pelo Banco Central na sexta-feira. Esse é o nível mais alto registrado desde pelo menos 2021, impulsionado pela alta das taxas de juros, que pressiona as contas públicas.

O déficit subiu para R$ 1,3 trilhão (US$ 257,03 bilhões) — ou 9,99% do PIB —, ante 9,61% em maio e 7,27% um ano antes.

A maior economia da América Latina enfrentou dificuldades para gerir as despesas extraordinárias decorrentes da pandemia de COVID-19, com o déficit atingindo seu patamar mais elevado desde abril de 2021.

Investidores permanecem céticos quanto à capacidade do governo de gerir os gastos públicos de forma eficaz para promover a consolidação da dívida.

O déficit fiscal do Brasil destaca-se em relação ao de seus pares; ele superou o déficit de aproximadamente 6% projetado pelo Fundo Monetário Internacional para mercados emergentes e países de renda média neste ano.

Sob a gestão de Lula, a dívida do Brasil aumentou significativamente, principalmente devido aos pagamentos de juros, que representaram 8,80% do PIB no período de 12 meses encerrado em junho. Por outro lado, o déficit primário foi de apenas 1,199% do PIB.

A dívida pública bruta cresceu 0,9 ponto percentual, atingindo 81,9% — um patamar significativamente superior ao previsto por economistas consultados pela Reuters (81,5%). Esse aumento pode ser atribuído, em grande parte, aos custos de juros acumulados e à emissão líquida de dívida.

Desde janeiro de 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula assumiu o cargo, a dívida pública bruta do Brasil (a principal medida de solvência) aumentou 10,2 pontos percentuais.

As despesas com juros nominais do Brasil totalizaram o montante expressivo de 110,7 bilhões de reais apenas em junho. Simultaneamente, o setor público registrou um déficit primário de 55,3 bilhões de reais; economistas haviam previsto um déficit de 49,8 bilhões de reais, segundo pesquisa da Reuters.

O déficit total de fevereiro atingiu 166 bilhões de reais, enquanto as projeções do mercado apontavam para um déficit de 133,2 bilhões de reais.

Gabriel Araujo, Gabriel Ayres e Marcela Ayres (Editores).

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