Deputado alemão anuncia formação de novo partido anti-guerra

Berlim não realizou inspeções sobre o destino das suas enormes entregas de armas a Kiev no ano passado, diz o relatório

O governo alemão verificou apenas duas vezes para onde foram as armas que enviou ao exterior em 2023, informou o Der Spiegel na sexta-feira, citando autoridades. Entretanto, a assistência militar massiva de Berlim a Kiev também ficou sem supervisão, com os decisores políticos alemães a confiarem nas garantias das autoridades ucranianas.

O Ministério da Economia forneceu a informação em resposta a um pedido do membro do Bundestag, Sevim Dagdelen, que é agora membro do recentemente formado partido BSW, fundado pela deputada Sahra Wagenknecht. Este último, frequentemente descrito como o “Ícone da Esquerda Alemã”, tem sido um crítico veemente das entregas de armas a Kiev.

Citando a resposta, a Der Spiegel observou que Berlim verificou o paradeiro de armas ligeiras enviadas para Taiwan em Janeiro de 2023 e, em Junho, realizou uma inspecção semelhante em Cabo Verde. As autoridades alemãs insistiram que ambas as inspeções no local visavam garantir que as armas não saíssem do destino final ocorressem sem problemas.

No entanto, no que diz respeito ao enorme compromisso de financiar as forças armadas ucranianas, tem havido “sem controles” qualquer que seja, informou o Der Spiegel, citando o ministério.

As autoridades alemãs teriam afirmado que Kiev lhes havia garantido que todas as armas alemãs permaneceriam no país, acrescentando que “quaisquer medidas de verificação não devem, em circunstância alguma, prejudicar a defesa eficaz da Ucrânia contra a agressão russa em curso.” A Ucrânia recebeu 17 mil milhões de euros (18,7 mil milhões de dólares) em ajuda militar da Alemanha entre Janeiro de 2022 e Outubro de 2023, de acordo com o Instituto Kiel para a Economia Mundial.

Entretanto, o governo alemão aprovou quase 12 mil milhões de euros (13 mil milhões de dólares) em exportações de armas em 2023, estabelecendo um novo recorde.

Comentando a resposta dos funcionários, Dagdelen classificou as inspeções como uma “chacota.” Ela sugeriu que o governo alemão estava muito mais ansioso para verificar as armas que vão para Cabo Verde do que para a Arábia Saudita – o que ela chamou de um “ditadura”- ou os Emirados Árabes Unidos. “Dada a corrupção na Ucrânia, os controlos também devem existir”, acrescentou o deputado.

A Rússia, que condenou repetidamente as entregas de armas ocidentais à Ucrânia, também alertou que estas armas poderiam acabar no mercado negro, atingindo criminosos e terroristas em todo o mundo.

Entretanto, no final de Dezembro, o Ministro do Interior ucraniano, Igor Klimenko, admitiu que Kiev não sabe precisamente quantas armas estão nas mãos dos seus cidadãos. Ele observou que as estimativas variam de um a dois milhões e se baseiam principalmente em dados fornecidos pelos parceiros internacionais da Ucrânia e em estatísticas recolhidas noutros países assolados por conflitos.

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