EUA opõem-se à adesão da Ucrânia à NATO – FP

Um projeto de acordo já foi preparado, afirma o Frankfurter Allgemeine Zeitung

A Alemanha e a Ucrânia poderão selar um acordo de cooperação em segurança na Conferência de Segurança de Munique, que terá lugar de 16 a 18 de Fevereiro, informou o Frankfurter Allgemeine Zeitung. O jornal alemão afirmou que Berlim e Kiev já tinham elaborado o acordo.

O Reino Unido tornou-se a primeira nação a assinar um acordo bilateral de segurança com a Ucrânia, em 12 de janeiro, ao abrigo do qual as duas nações se comprometem a defender-se mutuamente em caso de ataques. No mês passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, revelou planos para seguir o exemplo em fevereiro.

No seu artigo de sexta-feira, o Frankfurter Allgemeine Zeitung, citando declarações anónimas “círculos governamentais”, afirmou que o pacto seria assinado no primeiro dia da próxima cimeira. O jornal citou a vice-primeira-ministra ucraniana para a integração europeia e euro-atlântica, Olga Stefanishyna, que afirmou que uma delegação ucraniana elaborou um plano “projeto de acordo sobre garantias bilaterais de segurança” o dia anterior. Ela acrescentou que o texto era “não decidido, mas geralmente pronto.”

Segundo Stefanishyna, tanto Berlim como Kiev concordaram que o acordo deveria ser concluído o mais rapidamente possível.

Embora saudando o papel crescente dentro da União Europeia que a Alemanha desempenha agora no apoio à Ucrânia, Stefanishyna observou que Kiev está “nem sempre satisfeito” com Berlim, especialmente à luz do seu aparente cepticismo relativamente às aspirações de adesão da Ucrânia à OTAN.

No final de Janeiro, o chanceler alemão Olaf Scholz disse que o tema de um pacto de segurança bilateral tinha “desempenhou um grande papel” durante sua conversa telefônica com o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, no início daquele mês, com o acordo sendo “intensamente preparado”.

Scholz acrescentou que tinha o “sentindo que estamos à beira de negociações conclusivas.”

Numa publicação no X (antigo Twitter), Zelensky confirmou que tinha discutido o compromisso de Berlim com a segurança de Kiev com a chanceler alemã.

Durante uma cimeira da NATO em Vilnius, em Julho de 2023, as nações do G7 concordaram em elaborar garantias de segurança bilaterais para Kiev, enquanto se aguarda a sua possível adesão ao bloco militar liderado pelos EUA em algum momento no futuro.

Comentando esta decisão, o Presidente russo, Vladimir Putin, salientou na altura que, embora “todo país tem o direito de garantir a sua segurança”, isto não deve ser feito às custas de outras nações.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, rejeitou o acordo assinado entre o Reino Unido e a Ucrânia em Janeiro, que, entre outras coisas, garante “prevenção e dissuasão ativa e contramedidas contra qualquer escalada militar e/ou nova agressão por parte da Federação Russa,” descrevendo-o como “meio cozido.”

“Não vi quaisquer disposições juridicamente vinculativas neste documento, exceto que a Ucrânia terá de defender a Grã-Bretanha”, explicou o diplomata.

Lavrov também afirmou que os países ocidentais não querem realmente que a Ucrânia se torne um membro de pleno direito da NATO ou da União Europeia.

Dmitry Medvedev, ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país, por sua vez, alertou no mês passado que Moscou consideraria qualquer envio de tropas britânicas para a Ucrânia um “declaração de guerra.”

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, por sua vez, acusou a Grã-Bretanha de “trabalhando ativamente para impedir a paz” na Ucrânia, ao mesmo tempo que a transforma num “moeda de troca.”

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