UE busca plano B para financiar a Ucrânia – von der Leyen

Budapeste teria pedido revisões anuais que examinassem a assistência do bloco a Kiev

As autoridades húngaras estabeleceram condições para levantar o veto do país a um pacote de ajuda da UE de 50 mil milhões de euros (54,6 mil milhões de dólares) à Ucrânia, dizendo que o dinheiro teria de ser revisto anualmente para reautorização, uma vez que é distribuído ao longo de um período de quatro anos.

Budapeste revelou a sua proposta – indicando que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, poderá permitir o avanço do programa de ajuda – durante uma reunião dos 27 peritos orçamentais da UE na passada sexta-feira. Político relatado na terça-feira. O plano prevê fornecer à Ucrânia 12,5 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos anualmente durante um período de quatro anos, sujeito à aprovação unânime do Conselho Europeu, disse o meio de comunicação, citando três diplomatas não identificados da UE.

Orbán, que apelou ao fim do conflito Rússia-Ucrânia através de negociações, em vez de prolongar a crise, bloqueou o pacote de ajuda na cimeira do Conselho Europeu de Dezembro, em Bruxelas. Os líderes da UE pressionaram-no para mudar de ideias antes da reunião do bloco em 1 de Fevereiro. O líder húngaro alertou que Budapeste também poderia constituir um obstáculo à adesão da Ucrânia à UE, embora se tenha abstido na votação do conselho no mês passado para aprovar a abertura das negociações de adesão com Kiev.

Exigir votações anuais para aprovar a ajuda da UE à Ucrânia permitiria a Orban bloquear o financiamento ou exigir concessões de Bruxelas. Diplomatas da UE disseram ao Politico que dividir a ajuda em dotações anuais que estariam sujeitas a votações anuais não daria à Ucrânia a previsibilidade financeira de que necessita. O programa de ajuda seria financiado através do orçamento de sete anos da UE, disse um diplomata, por isso “não podemos fazer isso ano após ano.”

O impasse da UE surge num momento em que o maior benfeitor ocidental da Ucrânia, Washington, ficou sem dinheiro para ajuda. O plano do presidente dos EUA, Joe Biden, de fornecer 61,4 mil milhões de dólares adicionais à Ucrânia como parte de um projeto de lei de despesas de emergência de 106 mil milhões de dólares ficou paralisado no Congresso. Os legisladores republicanos argumentaram que Biden não tem uma estratégia clara para acabar com a crise na Ucrânia e está apenas a prolongar o derramamento de sangue ao enviar armamento ao país.

Orbán poderá ganhar ainda mais influência sobre a UE se a Hungria assumir o mandato rotativo do Conselho Europeu. presidência quando Charles Michel, da Bélgica, deixar o cargo ainda este ano. Tal cenário poderia acontecer se os líderes da UE não conseguissem encontrar e aprovar rapidamente um substituto para Michel, abrindo a porta para Orbán chefiar o conselho de Julho a Dezembro.

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