Teresa Portela, no palco

Espada em pá sempre foi o lema de Teresa Portela, a espanhola com mais Jogos Olímpicos pelas costas e o que acontece a caminho do sétimo próximo verão em Paris. E assim, pá por pá e com a humildade que a caracteriza, tornou-se uma lenda.

A primeira foi quando ela tinha 9 anos em Ra de Aldn, durante um curso de verão com amigos. “Então passei mais tempo na água do que na canoa”, diz ela, rindo no set de Marque a diferença.

Programa MARCA La Difference 50, na íntegra

Em sua primeira competição, o remo de outra garota atingiu seu leme, afrouxando-o e, quando partiram, o leme havia se soltado. “Comecei a passear, nem saía. Não sei se considero minha primeira competição ou a próxima”, acrescenta a sorridente Portela, que sempre foi tão exigente que Quando criança, ela se punia olhando para a parede se não fizesse a lição de casauma anedota que sua avó sempre lembra.

Con 14 na entrada do Centro Tecnológico do Piragismo de Pontevedra, a 40 quilômetros de sua casa e teve que amadurecer mais cedo que o resto dos jovens de sua idade. Esse compromisso com a canoagem valeu a pena e Aos 18 anos não só chegou à seleção nacional, mas também se classificou para os primeiros Jogos. “O objectivo da temporada não era ir para Sydney, mas sim para o Campeonato da Europa de Juniores, porque ainda era júnior. O prémio era ir e gostei muito”, admite. Desde então, ele não perdeu nenhum evento olímpico.

Agora valorize o quarto lugar em Londres 2012mas é sua lembrança mais amarga. “Eu me senti frustrado porque senti como se tivesse falhadoque errou na largada e teve a sensação de que talvez não tivesse a oportunidade de ganhar uma medalha olímpica novamente. Chorei muito, aquela posição me machucou. Depois da decepção pensei em desistir, mas aquele resultado me fez pensar que tinha opções e que precisava continuar lutando por esse sonho. Não queria fechar uma etapa com um sentimento ruim.“, aade.

Maternidade e esportes de elite

Portela já tinha certeza de que queria ser mãe. Até então, a maioria das atletas de elite que engravidavam desistiam da carreira, mas ela não quis. “Eu tinha dúvidas, mas Continuei treinando até os 8 meses supervisionado por um médico. Fiquei muito triste por interromper minha carreira profissional com tudo o que me custou para chegar lá. Depois do parto foi como começar do zero, embora me recuperei rapidamente graças ao facto de ter continuado a treinar durante a gravidez”, explica.

Teresa Portela, no palco do MLD.

E então veio o sentimento de culpa. Ele se sentia mal se ela fosse treinar porque abandonou o bebê, mas se ele estivesse com Naira ela sentia que não estava fazendo seu trabalho. Teve que aprender a gerir isso com o marido David Mascato, expiragista, e com quem forma uma ‘matilha’ que tem permitido a continuidade de Teresa. “Ser mãe foi a minha melhor decisão porque depois vieram os meus melhores resultados e tenho orgulho de mostrar aos atletas que vêm depois de mim que é difícil mas é possível”, acrescenta a galega.

Ser mãe foi minha melhor decisão porque depois vieram meus melhores resultados

Teresa Portela, vice-campeã olímpica em K1 200 em Tóquio 2020

Naira não pôde acompanhá-la em Tóquio 2020 devido às restrições da pandemia, mas gravou uma mensagem para ela na qual lhe dizia: “Mamãe, vença” e ele saiu com essa frase em mente. “Essa prata no K1 200 é a medalha que mais valorizo -ele tem 17 em Copas do Mundo e 18 em Europeus- porque era meu sonho e porque foi preciso implorar muito. Chegou nos meus sextos Jogos, aos 39 anos e depois de ser mãe. Dou muito mais valor a tudo porque sei quanto custa conciliar“, enfatiza.

“Levei anos para ver a final de Londres, mas a final de Tóquio foi perfeita e já a vi muitas vezes. Eu ainda sinto arrepios“, reconhecer.

Teresa Portela, com a prata velha

Teresa Portela, com a prata olímpica em Tóquio 2020.COE

Caminho a Pars

Para os Jogos de Paris Seu teste desapareceu do programa olímpicoé por isso que foi a vez dele se reinventar e agora compete no K4 500distância em que já participou em Atenas 2004 e Pequim 2008. Dezesseis anos depois, A Espanha voltará a ter barcos femininos nessa distância. Bronze na Copa do Mundo de Duisburg de 2023 deu-lhes o ingresso olímpico. “Se chegarmos com a mesma confiança de que grandes coisas vão acontecer nas Copas do Mundo, teremos a opção de pensar grande”, afirma.

Ainda fico arrepiado assistindo à final de Tóquio 2020

Teresa Portela, prata olímpica em K1 200 em Tóquio 2020

Em Paris ele competirá aos 42 anos. Eles serão os últimos? “Há Teresa por um tempo. Na minha cabeça não háe prazo, nunca usei. Vou pá por pá, esse é o meu lema. Sempre estabeleço metas de curto prazo. Não vou dizer que Los Angeles 2028 é, mas também não os descarto.“ele diz com um sorriso.

Ouça o programa 50 do MLD em formato podcast:



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