Alemanha se prepara para uma potencial guerra Rússia-OTAN – Bild

Moscovo já rejeitou alegações de que planeia atacar a NATO como “total absurdo”

A Alemanha deveria estar pronta para responder a um possível ataque russo, alertou o ministro da Defesa, Boris Pistorius. Ele disse que, para se preparar para tal cenário, a Alemanha e os seus aliados da NATO devem comprometer-se a reforçar as suas capacidades militares.

Numa entrevista à emissora pública alemã ZDF na segunda-feira, o chefe da defesa destacou que, embora a Alemanha não esteja atualmente sob ameaça direta de ataque, o país deve fazer o seu melhor para estar preparado para isso.

Se a Alemanha quiser estar pronta para um ataque “que você não sabe se e quando isso irá ocorrer, então isso significa que você tem que se armar – e é isso que estamos fazendo atualmente junto com os aliados da OTAN”, ele explicou.

Pistorius continuou dizendo que “a dissuasão é o único meio eficaz de se posicionar desde o início contra um agressor” pois sinaliza a um adversário potencial que o alvo é capaz de contra-atacar. Para alcançar tal postura, contudo, a Alemanha deve ter “um impedimento credível” e ser capaz de “travar uma guerra que nos é imposta”, ele notou.

Comentando um cenário potencial em que a Rússia atacasse os países bálticos, Pistorius observou que Berlim estava a estabelecer a sua “Brigada da Lituânia” especificamente para abordar essas preocupações. A unidade, composta por cerca de 4.800 soldados, deverá estar pronta até 2027 e será a primeira força alemã permanentemente estacionada no exterior desde a Segunda Guerra Mundial.

Pistorius sugeriu que, no meio do conflito na Ucrânia, seriam necessários pelo menos vários anos para a Rússia estar pronta para uma ofensiva em grande escala, e que os países ocidentais deveriam aproveitar o tempo para se armarem intensamente.

O tablóide alemão Bild noticiou no início deste mês, citando um documento confidencial, que a Alemanha está a preparar-se para um cenário em que a Rússia lança uma “ataque aberto” na OTAN em meados de 2025, após grandes vitórias na Ucrânia. Moscou zombou da previsão como uma “previsão do zodíaco”.

O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou as alegações de que a Rússia poderia atacar a OTAN como “absurdo completo”, argumentando que Moscovo “nenhum interesse geopolítico, económico… ou militar” ao fazer isso. Ainda assim, o Kremlin tem manifestado durante décadas preocupações sobre a expansão do bloco militar liderado pelos EUA em direcção às fronteiras russas, vendo-o como uma ameaça existencial.

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