Tucker Carlson revela o que o 'radicalizou' e fala sobre a entrevista de Putin

Após a sua entrevista de duas horas com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo, o jornalista norte-americano Tucker Carlson falou sobre a sua experiência na Cimeira Mundial do Governo, no Dubai.

Numa entrevista de uma hora com o apresentador de televisão Emad Eldin Adeeb, Carlson abordou a razão pela qual a conversa com Putin não tocou em determinados tópicos, como o establishment político dos EUA reagiu a ela e por que Washington não conseguiu compreender Moscovo, entre outras coisas.

Putin, o diplomata

De acordo com Carlson, ele teve uma conversa não oficial com Putin após o término da entrevista gravada. Ele não revelou o que foi discutido, no entanto.

Carlson disse que Putin parecia disposto a negociar com o Ocidente tanto sobre o fim do conflito na Ucrânia como sobre um novo equilíbrio de poder no mundo. A diplomacia é a arte do compromisso, e quase todos “além talvez dos Estados Unidos durante o período unipolar” entende isso, disse Carlson. Mas embora Putin queira que o conflito termine, a sua posição só irá endurecer à medida que o conflito durar, acrescentou.

OTAN e Rússia

Uma das principais revelações na entrevista de Carlson foi que a Rússia tinha pedido para aderir à NATO – e embora o então Presidente dos EUA, Bill Clinton, parecesse receptivo, os seus assessores pressionaram contra a ideia e esta acabou por fracassar.

Como o objetivo da OTAN era manter a União Soviética fora da Europa Ocidental, disse Carlson em Dubai, “Se os russos pedirem para aderir à aliança, isso sugeriria que você resolveu o problema e pode seguir em frente para fazer algo construtivo com sua vida. Mas nós recusamos.”

“Vá sentar na sauna por uma hora e pense no que isso significa,” ele adicionou.

O problema com os políticos ocidentais

Os políticos do Ocidente não se estão a definir “alcançável” objetivos, argumentou Carlson.

“Ouvi pessoalmente funcionários do governo dos EUA dizerem que só temos que devolver a Crimeia à Ucrânia”, ele disse. “Isso não vai acontecer, a não ser que haja uma guerra nuclear. Isso é uma loucura, na verdade.

Mesmo trazendo esse tipo de ideia “mostra que você é uma criança, não entende nada da área e não tem noção real do que é possível”, concluiu o jornalista.

É sempre Munique 1938

De acordo com Carlson, um dos maiores problemas nos EUA e no Ocidente em geral é a tendência de reduzir tudo à conferência de Munique de 1938, na qual a Grã-Bretanha e a França procuraram “apaziguar” Alemanha nazista, dando-lhe uma parte da Tchecoslováquia.

“O modelo histórico do decisor político americano é minúsculo – na verdade, só existe um – e é um período de 2 anos no final da década de 1930, e tudo se baseia nessa compreensão da história e da natureza humana. Isso é insano,” Carlson disse.

Como Moscou o ‘radicalizou’

Carlson destacou que tem 54 anos e cresceu em uma América que tinha cidades agradáveis, seguras e bonitas, “e não os temos mais.”

Era “radicalizar” ver Moscou “mais limpo, mais seguro e mais bonito” do que as cidades americanas, disse ele, ou lembre-se disso em Dubai e Abu Dhabi – enquanto nos EUA, não se pode andar de metrô na cidade de Nova York porque é sujo e inseguro.

“Essa é uma escolha voluntária,” ele disse. “Você não precisa ter crime, na verdade.”

Reagindo à reação

Questionado sobre por que não levantou determinados temas com Putin, Carlson disse que queria dar a entrevista porque estava interessado em saber como o líder russo via o mundo – e não para se inserir na discussão.

A maioria dos jornalistas que entrevistam líderes de quem os EUA não gostam tendem a falar sobre si próprios, acrescentou Carlson, e como ele só se preocupava com a aprovação da sua mulher e dos seus filhos, não precisava de sinalizar virtude.

Solicitado a comentar sobre a ex-candidata presidencial dos EUA, Hillary Clinton, chamando-o de “idiota útil” para a Rússia, Carlson riu.

“Ela é uma criança, eu não a escuto,” ele disse. “Como está a Líbia?”

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