Uma maioria de dois juízes insistiu que, para implementar seus planos, o presidente Bush precisava da autorização do Congresso.
O Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Distrito de Colúmbia manteve, em uma decisão contundente, uma ordem contrária ao projeto do presidente Donald Trump de construir um salão de baile na Casa Branca, fundamentando-se nas exigências de aprovação do Congresso.
Patricia Millett e Bradley Garcia formaram a maioria do tribunal de apelações, enquanto Neomi Rao apresentou voto divergente.
A decisão começou refletindo sobre como a “casa do povo” é, na verdade, controlada e de propriedade do Congresso, ao passo que o presidente é apenas um residente temporário designado.
Garcia e Millett observaram que os presidentes não possuem autoridade constitucional para administrar a propriedade; ela serve a todos os presidentes, passados e presentes, bem como a todos os americanos.
Em seguida, detalharam os eventos que antecederam a demolição da Ala Leste da Casa Branca, realizada por Trump em outubro, bem como o próprio ato da demolição.
“Até hoje, nunca houve na América um caso de presidente agindo unilateralmente e utilizando fundos privados, arrecadados de forma privada, para demolir grandes partes de uma Casa Branca cuja construção foi autorizada pelo Congresso e paga pelos contribuintes americanos”, escreveram eles.
Segundo a decisão, a continuidade da construção de um salão de baile causaria danos irreparáveis aos interesses históricos, arquitetônicos e estéticos, bem como aos interesses dos autores da ação.
Millett e Garcia, nomeadas para seus cargos pelos presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden, respectivamente, mantiveram a decisão de um tribunal de instância inferior que suspendia a construção até a conclusão do litígio.
As juízas concluíram: “Os réus não apresentaram provas demonstrando que o Congresso delegou essa autoridade ao presidente Bush ou ao Serviço Nacional de Parques”.
Somente o Congresso pode decidir se um grande salão de baile deve ou não ser construído; essa decisão não pode depender apenas de uma ação unilateral do Poder Executivo.
Essa liminar veio acompanhada de uma suspensão de 14 dias para permitir que a administração Trump apresente um recurso à Suprema Corte.
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Trump reagiu rapidamente por meio de sua rede social, a Truth Social, declarando que planejava levar o caso à Suprema Corte.
Em uma publicação extensa de 487 palavras em seu blog, Trump declarou que recorrerá imediatamente à Suprema Corte dos EUA.
Lideranças militares e do Serviço Secreto consideram essa decisão — que classificam como hedionda, ilegal e motivada por questões políticas — uma ameaça à segurança nacional, tanto para o país quanto para futuros presidentes, em razão da construção do complexo.
Trump afirmou repetidamente que o salão de baile era essencial para a segurança nacional. Ele proporcionaria um espaço seguro para que presidentes e seus convidados realizassem eventos com segurança.
Críticos condenaram veementemente o salão de baile, classificando-o como um projeto de vaidade desnecessário e destrutivo que viola protocolos legais.
Naquela época, Donald Trump era mais conhecido como magnata do setor imobiliário; à ABC News, ele relatou sua ambição de construir um salão de baile sofisticado, adequado para jantares de Estado.
Em 2016, Donald Trump venceu sua primeira campanha presidencial e era um crítico declarado do então presidente Obama. Desde então, ele reiterou seu desejo de construir um salão de baile na Casa Branca.
Trump inicialmente abandonou esse plano durante seu primeiro mandato; no entanto, ao assumir a presidência para um segundo mandato em 2025, retomou os esforços para construir um salão de baile e outros projetos que transformariam significativamente Washington, D.C.
Ao discutir o assunto publicamente em julho de 2025, Donald Trump prometeu que a construção de seu salão de baile não seria destrutiva.
“A construção proposta não interferirá nas estruturas existentes; no entanto, ficará próxima a elas, sem tocá-las, e demonstrará total respeito pelos edifícios atuais”, declarou ele na ocasião.
Em outubro passado, equipes de construção começaram abruptamente a demolir a Ala Leste, datada de 1902, sem aviso prévio ou explicação.
O National Trust for Historic Preservation foi uma das organizações a manifestar preocupação com a demolição.
Os planos revelam que o salão de baile ocupará uma área estimada em 90.000 pés quadrados — ou 8.361 metros quadrados —, mais do que o dobro da área ocupada pela própria Casa Branca.
Em dezembro, o National Trust entrou com uma ação judicial contra Trump pela demolição e reconstrução unilateral de um salão de baile na Ala Leste.
Em 31 de março, o juiz distrital dos EUA Richard Leon (nomeado pelo presidente republicano George W. Bush) decidiu a favor do National Trust e concedeu uma liminar inicial suspendendo as atividades de construção.
Leon escreveu que a construção seria paralisada até que o Congresso aprovasse o projeto com a devida autoridade legal.
Ele abriu uma exceção para obras necessárias à segurança nacional; no entanto, essa exceção permitiu o prosseguimento de apenas uma parte do projeto do salão de baile.
Na sexta-feira, o National Trust saudou a decisão de um tribunal de apelação que manteve a ordem do juiz Leon de interromper a construção do salão de baile até a conclusão do litígio.
Brent Leggs afirmou que este dia representa uma oportunidade empolgante para os Estados Unidos e para o seu povo expressarem opiniões sobre locais históricos que valorizam — incluindo a Casa Branca.
“Nossa posição sempre foi clara: apenas o Congresso tem autorização para aprovar a construção do salão de baile da Casa Branca.”
O projeto de Trump para um salão de baile de 300 metros na Casa Branca gera debate após a demolição da Ala Leste.
Trump e seus apoiadores têm promovido o salão de baile como um importante recurso de segurança nacional. Recentemente, declararam que a estrutura terá seis andares e incluirá abrigos antibombas, instalações militares secretas, um hospital subterrâneo para soldados feridos em combate, proteção contra drones no telhado, bem como medidas de proteção em cada andar para os abrigos e instalações militares secretas.
Trump também fez referência a uma declaração de discordância feita pela juíza Rao em um voto divergente no tribunal de apelação.
O tribunal distrital emitiu uma liminar especial interrompendo toda a construção do salão de baile, levando Rao a afirmar que se tratava de um “uso ultrajante do poder discricionário”.
Ela acredita que o National Trust não tem legitimidade para processar o caso e que o tribunal distrital permitiu que preferências estéticas se sobrepusessem aos interesses de segurança do governo — enquadrando a questão como um assunto de autoridade do Poder Executivo.
Rao escreveu que, como essa liminar não estava sob a jurisdição dos tribunais federais, a construção deveria prosseguir conforme o planejado.
Seus colegas no tribunal de apelação chegaram a uma decisão oposta e sugeriram que o projeto do salão de baile poderia continuar caso Trump vencesse a disputa judicial.
Eles escreveram que uma liminar apenas atrasa a construção enquanto o litígio tramita.
Garcia e Millett afirmaram que essa decisão não impede a construção do salão de baile em um momento futuro.
Isso significa que os réus não podem realizar um processo judicial acelerado em nível distrital sem antes obter a aprovação do Congresso, conforme exigido tanto pela Constituição quanto pela lei.






